Como tudo começou

Como tudo começou

Fé: certeza do que não se vê. Convicção das palavras que ainda nem saíram da boca. Sem poder falar, debilitada após uma parada cardíaca causada por estresse, Lúcia Almeida estava alquebrada, abatida, sem perspectivas. Sem ver saída, mas apoiada em uma poderosa fé, sua vida mudaria completamente no período de três anos. O ponto de virada veio a partir de muita tristeza. Tentando se comunicar por gestos e sons, com a voz bastante alterada por causa de sua frágil saúde, Lúcia queria fazer as unhas, mas foi surpreendida pela profissional que a atenderia com a seguinte frase: “Não tente falar de novo porque meu filho está com muito medo da forma que você fala.” Foi um baque. Toda evolução conquistada na recuperação da voz regrediu. “Foi muito doído para mim, chorei muito”, conta.

Dona da casa, sem nem ter concluído o Ensino Fundamental, ela decidiu aprender a fazer alongamento de unhas, para não passar de novo pelo que havia vivido. Enfrentou a resistência do marido Daniel, que não queria pagar pelo curso. “A princípio, ele achou que eu queria fazer disso apenas uma terapia”, diz Lúcia. Dia após dia, falando com muita dificuldade, insistindo e chorando, ela acabou por convencer o marido. “Mas ele pediu para que eu devolvesse o valor do investimento assim que recebesse os primeiros pagamentos”, explica. Pesquisou muito por si própria, investiu o curto limite de R$ 150 de seu cartão na compra de material e passou a treinar.